Censo Escolar 2019

Variação no número de Instituições

Não há dúvida de que 2019 foi um ano melhor que 2018 para as escolas privadas. Observando-se o aumento de matrículas, há de se imaginar que algo similar aconteça com o número de instituições abertas no mesmo período.

Porém, abrir uma escola não é algo tão simples como efetuar uma matrícula ou uma transferência. Na verdade, o surgimento de uma nova escola é fruto de um movimento que vem de anos anteriores, a partir de muito planejamento e observação da demanda. Ao mesmo tempo, o fechamento de uma escola tende a ser evitado até que a situação da instituição se torne insustentável.

Por isso, em nossa análise, trouxemos alguns novos elementos para ajudar na compreensão do mercado de ensino privado nos municípios estudados. A primeira análise que apresentamos é a variação no número absoluto de instituições nos 50 maiores municípios brasileiros.

Variação no número de instituições privadas de ensino
Município Variação
2017/2018
Variação
2018/2019
Acumulado
2017/2019

No gráfico a seguir, os municípios destacados em azul tiveram uma variação positiva no número de escolas de educação básica entre 2017 e 2019. Este grupo soma 78% das cidades. Por outro lado, em 10 municípios observamos uma queda no número de escolas no comparativo entre 2017 e 2019.  Há de se notar, porém, que em Juiz de Fora, Mauá e Joinville, tenhamos identificado uma recuperação no mercado no último ano.

No caso do município catarinense, por exemplo, apesar de uma forte retração de 6,4% em 2018, no último ano houve um crescimento de 5,3% no número de escolas.
Variação no número de
instituições privadas
de Educação Básica
em 2017/2018 e 2018/2019

Insira o nome da cidade:

Ajustando nosso foco para 2019, o destaque foi o município de São Bernardo do Campo (SP), que registrou um saldo positivo de 27 instituições - o equivalente a um aumento de 17,3% no número de escolas em apenas 1 ano.

Campinas (SP) que havia tido um crescimento expressivo em 2018, manteve-se estável em 2019, com uma variação de 0,4%, o que  demonstra uma acomodação em seu mercado educacional.

Porém, no comparativo 2017/2019, é a cidade pernambucana de Jaboatão dos Guararapes que pode ser considerada como a líder no crescimento do número de escolas. A cidade teve um aumento de 19,3% na quantidade de instituições, salto acompanhado por  um crescimento de 23,3% no número de matrículas no mesmo período.

Assim como em nossa primeira edição, a cidade com a maior variação negativa tem sua redução no número de escolas impactada diretamente por mudanças relativas à existência de escolas conveniadas (quando há parceria entre as escolas particulares e o poder público) foi Contagem (MG). No município mineiro, de cada dez escolas que existiam em 2018, pelo menos uma deixou de existir no ano seguinte. Comparando-se o percentual de matrículas em escolas conveniadas em nos diferentes anos, encontramos uma boa justificativa para esse cenário.

Relevância das parcerias entre instituições privadas e o setor público na Educação Infantil
(Contagem - MG)

Analisando-se simultaneamente a variação no número de instituições e de matrículas, identificamos que em 27 dos 50 maiores municípios, o mercado educacional cresceu simultaneamente do ponto de vista de demanda e de oferta de serviços educacionais. Dentre eles, em apenas 9 identificou-se um aumento maior no número de matrículas que do número de instituições.

Enquanto em 2018, 31,6% das matrículas da Educação Infantil davam-se em escolas conveniadas com o poder público, em 2019 esse número caiu para apenas 9,6%, uma redução de quase 70%. Certamente esta mudança na política municipal afetou o funcionamento de diversas instituições.
Municípios com aumento no número de instituições e de matrículas - 2017/2019
3,1%
4,8%
0,5%
6,1%
1,7%
5,8%
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
9,0%
8,9%
15,2%
6,8%
7,4%
2,5%
7,2%
12,8%
9,8%
6,9%
7,0%
1,2%
Aracaju - SE
Ananindeua - PA
Belo Horizonte - MG
Brasília - DF
Campinas - SP
Campo Grande - MS
Curitiba - PR
Duque de Caxias - RJ
Guarulhos - SP
Município
Variação nº de Instituições
Variação nº de Matrículas
Situação
Caxias do Sul - RS
6,3%
7,3%
+ Demanda
Cuiabá - MT
2,3%
3,3%
+ Demanda
Feira de Santana - BA
1,5%
1,7%
+ Demanda
Florianópolis - SC
1,9%
5,2%
+ Demanda
Jaboatão dos Guararapes - PE
19,3%
23,3%
+ Demanda
1,8%
5,2%
8,6%
5,1%
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
8,3%
11,4%
10,9%
11,2%
14,4%
7,8%
7,5%
12,5%
5,6%
6,4%
5,3%
7,2%
6,9%
João Pessoa - PB
Nova Iguaçu - RJ
Osasco - SP
Salvador - BA
São Bernardo do Campo - SP
São Paulo - SP
Serra - ES
Sorocaba - SP
Teresina - PI
Município
Variação nº de Instituições
Variação nº de Matrículas
Situação
Juiz de Fora - MG
0,5%
1,0%
+ Demanda
Porto Velho - PA
17,8%
30,3%
+ Demanda
Santo André - SP
2,7%
6,1%
+ Demanda
Uberlândia - MG
4,8%
20,8%
+ Demanda
7,1%
+ Concorrência

Enquanto em 54% dos municípios observamos um aumento tanto da demanda quanto no número de instituições ofertando vagas, em 18% das cidades ocorreu o oposto: uma queda no número de instituições e no número de matrículas.

Municípios com diminuição no número de instituições e de matrículas - 2017/2019
-1,3%
-2,0%
-3,9%
-0,9%
0,0%
Londrina - PR
Manaus - AM
Vila Velha - ES
0,0%
Município
Variação nº de Instituições
Variação nº de Matrículas
-4,8%
-4,7%
-4,4%
-6,9%
-10,6%
-4,4%
Contagem - MG
Aparecida de Goiânia - GO
Fortaleza - CE
Município
Variação nº de Instituições
Variação nº de Matrículas
7,2%
3,7%
4,8%
3,3%
4,8%
-1,4%
-2,4%
-2,0%
-0,6%
-3,4%
Mauá - SP
Joinville - SC
Porto Alegre - RS
Ribeirão Preto - SP
São José dos Campos - SP
Municípios com diminuição no número de instituições e aumento no número de matrículas - 2017/2019
Município
Variação nº de Instituições
Variação nº de Matrículas
-4,8%
-0,4%
-3,4%
-4,4%
-2,2%
-3,0%
-1,4%
0,0%
-0,7%
-4,3%
-0,4%
-2,8%
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
+ Concorrência
5,0%
10,0%
2,4%
1,9%
6,4%
10,9%
1,5%
0,5%
4,5%
4,7%
1,7%
1,5%
Belford Roxo - RJ
Belém - PA
Campos dos Goytacazes - RJ
Goiânia - GO
Macapá - AP
Maceió - AL
Natal - RN
Niterói - RJ
Recife - PE
São Gonçalo - RJ
São Luís - MA
+ Concorrência
Município
Variação nº de Instituições
Variação nº de Matrículas
Situação
Rio de Janeiro - RJ
Municípios com aumento no número de instituições e queda no número de matrículas - 2017/2019


No caso do mercado educacional, a redução nos preços pode se dar com o surgimento de escolas de baixo custo aumentando a pressão sobre escolas tradicionais e com faixas de preço já estabelecidas. Assim como pode ocorrer disputas acirradas na concessão de bolsas e descontos, fazendo com que o ticket médio das escolas tenha um recuo. Ou seja, aquelas que não possuírem uma boa margem de gordura para queimar correm sérios riscos de quebrar, chegando ao extremo de poderem fechar suas portas.

O segundo cenário refere-se à concentração de mercado, situação em que um número menor de empresas passa a atender uma demanda crescente.

Esse foi um quadro registrado em 10% das cidades analisadas neste levantamento. Em alguns desses casos, observamos escolas que sobreviveram a períodos de queda no número de matrícula e, com o retorno da demanda, absorveram as novas matrículas reforçando suas posições.

Nas demais cidades, é possível reconhecer dois cenários bem característicos. O primeiro, identificado em 24% dos município analisados, refere-se a um aumento na concorrência em função da abertura de novas instituições e na queda no número de matrículas. Este é um quadro típico de aumento de concorrência: em situações como essa, em que cai a demanda por um produto ao mesmo tempo em que a oferta do mesmo aumenta, o esperado é uma redução nos preços, levando a um cenário de acirramento da concorrência.

Comparação entre número
de instituições e de matrículas

Insira o nome da cidade:

Consideradas todas essas questões, é importante que possamos dar um foco maior sobre o que realmente aconteceu em relação ao mercado educacional nos municípios deste Panorama. Olhar apenas para a variação total no número de escolas pode esconder de nossos olhos uma movimentação oculta, resultado da abertura e do fechamento de escolas. Pode ser que parte das instituições estabelecidas em um município possa estar, aos poucos, sendo substituída por novos atores do mercado educacional. Para ajudar nesse processo, trouxemos o número de instituições que fecharam ou que abriram entre 2018 e 2019. 

Para isso, consideramos as escolas que possuíam alunos em 2018, porém não registraram matrículas em 2019 para identificar aquelas que fecharam as portas. Já as instituições que não possuíam matrículas em 2018 e que registraram alunos em 2019 foram contadas como aquelas que abriram. Além disso, uma escola que alterou seus registros junto ao MEC também  entra nesse cálculo. Há casos de instituições que continuam funcionando no mesmo local, com os mesmos funcionários e mesmos alunos, porém, de um ano para outro, por causa de reestruturações burocráticas, surgem como novas escolas em função de alterações nos seus códigos junto ao ministério. Há, ainda, casos pontuais de escolas que deixam de preencher o censo em um ano específico, também contabilizadas como sem alunos em 2019.

Para facilitar a observação das movimentações no mercado educacional dos municípios, a tabela abaixo está ordenada de acordo com a instabilidade da rede privada de educação básica. O índice consiste da soma do número de escolas que fecharam após 2018 com as que iniciaram suas atividades em 2019, dividido pelo número de instituições existentes em 2018.

Dessa forma é fácil notar que Maceió (AL) foi a cidade com mais alterações em suas escolas. Foram 38 fechadas e 49 abertas, o que representa 30,5% do percentual de escolas que existiam em 2018. Por outro lado, Ribeirão Preto (SP) foi a cidade mais estável, com apenas 2 escolas fechando e outras 3 dando início a suas atividades.

Abertura e Fechamento de escolas entre 2018 e 2019
Municipio Total em 2018 Sem alunos em 2019 Abriram em 2019 Total em 2019 Instabilidade em relação a 2018

Porém, a abertura e fechamento de escolas não é suficiente para descrever as movimentações do mercado. Uma escola pode, eventualmente, abrir um novo segmento de atuação ao mesmo tempo que pode encerrar atividades em função da falta de alunos apenas em uma etapa, sem necessariamente fechar as portas. Para que possamos melhor caracterizar as movimentações na rede privada, temos a variação na quantidade de instituições que atuam em cada fase da Educação Básica.

Dessa tabela, chamam também a atenção os municípios de Osasco (SP) e Vila Velha (ES), onde nenhuma instituição encerrou suas atividades em 2019. 
Variação no número de instituições por segmento
Municipio Creche Pré-escola Ens. Fund.
(anos iniciais)
Ens. Fund.
(anos finais)
Ensino Médio

Por último, para caracterizar o ensino privado nos municípios do ponto de vista das instituições, é importante compreender quais segmentos as escolas atuam e qual é o porte médio de cada uma delas em cada etapa do ensino. Dessa forma, considerando-se o total de instituições no ano de 2019, a tabela abaixo descreve como se configuram as redes privadas de ensino em cada cidade.

Porto Alegre e Caxias do Sul se destacam por possuírem um número muito grande de escolas que atuam exclusivamente na Educação Infantil (Creche e Pré-escola). Isso faz com que o número de instituições que atendem às demais etapas representem um percentual bastante baixo. No município gaúcho, apenas 14% das escolas possuem matrículas no Ensino Fundamental. Já no catarinense, 7%.

Percentual de escolas que atendem cada segmento
Municipio Creche Pré-escola Ens. Fund.
(anos iniciais)
Ens. Fund.
(anos finais)
Ensino Médio

No geral, o Ensino Médio é o segmento com menor número de escolas ofertando vagas. De fato, há dois fatores que ajudam a explicar essa distribuição no número de instituições. O primeiro deles diz respeito às características dos segmentos. Na Educação Infantil, as turmas costumam ser menores, contando com um número maior de professores e funcionários acompanhando as crianças. Além disso, é mais comum observarmos pequenas escolas atuando na Educação Infantil, com estrutura pequena, se comparada a de escolas do Ensino Fundamental.

Além disso, quando observamos a distribuição no número de matrículas na rede privada para o total dos 50 maiores municípios brasileiros, o Ensino Médio é o segmento com menor percentual de alunos. Dessa forma, sabendo que turmas de Ensino Médio contam com uma quantidade de alunos maior que as turmas de Educação Infantil, é natural que um número menor de escolas atuem nessa etapa. Este mapa é importante pois permite caracterizar a rede privada em função do seu foco de atuação.

Uma consequência natural para um número maior ou menor de instituições atuando em determinado segmento é a quantidade média de alunos em cada etapa por escola. É exatamente o que mostra a tabela a seguir. Nela, o gestor pode comparar o seu porte em cada etapa com a média das demais escolas que atuam naquele segmento.

Porte das escolas
e número médio de
matrículas por segmento
Municipio Creche Pré escola Ens. Fund. (anos iniciais) Ens. Fund. (anos finais) Ensino Médio Porte Médio Variação no Porte Médio 2018/2019

Reunindo todos esses dados, sugerimos ao gestor que avalie sua instituição comparando o seu desempenho com o da cidade em que ela  está inserida. Primeiramente, é possível verificar como sua escola se posiciona em relação ao número médio de alunos por segmento. Se trata-se de uma escola especializada, é provável que haja  mais alunos que a média, por exemplo.

Caso a escola tenha a intenção de expandir sua atuação para outros segmentos, conhecer o percentual de escolas que trabalham com as mesmas faixas etárias pode ajudar a definir sua estratégia. Ao mesmo tempo, identificar o fechamento ou a abertura de novas escolas pode servir como termômetro do mercado. Bem como, por meio  do detalhamento da variação no número de instituições atuando por segmento, é possível comprovar a existência de oportunidades ou tendências demonstradas por movimentações globais. 

Todos esses dados são úteis para complementar as informações e percepções que o gestor já possui em função de sua atuação local. Unindo conhecimentos obtidos por meio da experiência com dados validados e compilados neste levantamento realizado pelo Panorama, as tomadas de decisão serão melhores e mais precisas que aquelas apontadas apenas por meio de intuições.

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